Clicado por Alberto Korda e popularizado em camisetas, mantém vivo o heroísmo do guerrilheiro
por Adriana Guivo
Ícone de um regime que sobrevive a duras penas nos dias atuais, o retrato foi conhecido pelo mundo após a morte de Guevara, por conta do oportunismo de Giangiacomo Feltrinelli, editor italiano. Gratuitamente concedida para que ilustrasse uma publicação sobre o líder, ele a transformou em milhares de pôsteres, cujas vendas não reverteram nenhum centavo para quem a fez.
Sem imaginar a amplitude que teria, o autor, falecido em 2002, nunca requisitou para si os royalties da fotografia -- talvez a mais conhecida desde a invenção da técnica. No livro “Cuba por Korda”, ele contou como foi entrar para a história ao registrar de perto um dos eventos mais importantes do século XX, tornar-se célebre e receber apenas os créditos por seu emblemático trabalho. A edição, publicada em 2004 pela CosacNaify, nos permite apreciar ainda sua investida pelo universo da moda - a princípio o oposto do que vivenciou ao lado de Fidel Castro e companhia.
A popularização em definitivo do retrato de Che se deu ao virar estampa de camiseta, pela arte do irlandês Jim Fitzpatrick. Sua intenção foi torná-la de alcance universal, para compensar a execução sumária do guerrilheiro em selvas bolivianas, no ano de 1967. "Da maneira como eles o mataram, não haveria nenhum memorial, nenhum local de peregrinação, nada. Eu estava determinado a fazer aquela imagem receber a maior circulação possível", disse ao site da BBC News.
Mesmo banalizado através de impressões descartáveis, que vão de bottons a cigarros e cédulas de dinheiro, o disparo de Alberto Korda ajudou a mitificar o homem que, sem perder a ternura, lutou em prol dos desfavorecidos latinos. Uma façanha e tanto que, no atual mundo das imagens imediatas, talvez não se repita novamente.
Fonte: Colherada Cultural

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